Conheça as habilidades necessárias para exercer profissões do futuro

Quando o governo Michel Temer afirmou, em 2017, sua simpatia pela reforma previdenciária que mexe com o tempo de aposentadoria da maioria dos trabalhadores brasileiros, o rebuliço foi geral: dos especialistas em economia aos especialistas em memes da internet, todos se manifestaram sobre o possível novo período de trabalho durante a idade economicamente ativa.

Contudo, o que muita gente deixou passar batido é a pergunta-chave para entender não só o momento atual da sociedade como, também, o da própria carreira: será que, quando tivermos idade para aposentar, nossa profissão ainda vai existir?

Pensar na resposta para essa pergunta não deveria soar alarmista ou pessimista, mas pode trazer reflexões importantes sobre o que fazemos da nossa carreira ou onde colocamos nossos sonhos. Uma pessoa que trabalha como caixa de supermercado, por exemplo, não pode colocar nessa área de atuação seu plano de vida a longo prazo, uma vez que a automação dos pagamentos nesse tipo de estabelecimento pode acontecer antes dos próximos 30 anos, ou seja, antes que alguém da nossa geração se aposente como caixa de supermercado.

Cada reflexão pode nos levar a repensar nossas escolhas de vida e mostrar onde podemos nos especializar para garantir bons empregos no futuro, principalmente se o que temos hoje pode ser facilmente substituído pela tecnologia.

A boa notícia é que muitas das habilidades requeridas pelas profissões do futuro não são técnicas, ou seja, não necessitam de um diploma para comprovar seu aprendizado. Apenas a atitude vai afirmar que alguém tem ou não o que é necessário para exercer um cargo diferenciado ou de confiança.

Antes de escolher qualquer “profissão do futuro” para já pensar no plano B, C ou D da sua vida profissional (enquanto ainda há tempo para mudar drasticamente o rumo da jornada), acumule habilidades do futuro: elas vão te ajudar a ser um profissional mais competente e um ser humano melhor, e essas duas características continuarão sendo requisitadas em um mundo cada vez mais automatizado.

Habilidades de hoje para profissões do futuro

Se você não tiver muita experiência em alguma delas, é melhor ir treinando desde já para garantir sua longevidade no mercado de trabalho...

1. Flexibilidade

Houve um tempo que trabalhar em uma empresa era sinônimo de bater cartão às 8h, sair às 17h e esquecer completamente das atividades (ou, pelo menos, tentar) depois que o horário comercial acabava – e essa era a única opção plausível (e interessante) de carreira.

Mesmo que o relógio de ponto ainda seja bastante utilizado nas empresas atuais, esse não é o único meio de medir o esforço e comprometimento dos colaboradores, muito antes pelo contrário: estar de corpo presente em alguns setores profissionais nunca foi tão desnecessário.

No futuro, a flexibilidade de horários visando a produtividade máxima vai ser um trunfo de quem conseguir extrair o melhor dela, principalmente porque estima-se que, em poucos anos, as salas comerciais percam espaço no coração dos funcionários para o home office, por ser uma opção corporativamente mais econômica e, pessoalmente, mais confortável.

Para desenvolver essa habilidade lembre-se, primeiro, de criar o hábito da disciplina, que é o grande fiel dessa balança.

Mas não se atenha apenas à flexibilidade de horários: é preciso ser flexível, também, para pensar e aprender. Ainda que o ambiente acadêmico seja importante, muitas habilidades técnicas do futuro serão aprendidas através de cursos online voltados para seus interesses de carreira.

2. Criatividade

Um dos últimos limites entre a mente humana e a automatização total do trabalho é a capacidade de criar. Ainda que inteligência artificial e aprendizado das máquinas sejam conceitos cada vez mais estudados – e de resultados visíveis –, a mente humana ainda ganha essa disputa.

Afinal, só nós conseguimos analisar uma situação por diversos vieses, inclusive emocionais, quando esse olhar holístico é solicitado.

A criatividade, além de ser uma habilidade muito pertinente para o futuro, é um meio que o profissional tem de conseguir estabelecer, agora, melhores condições de trabalho, visto que um trabalhador com essa característica pode trazer mais resultados para uma empresa e, assim, ser mais valorizado.

Para desenvolver essa característica, esqueça aquele papinho de que “tem gente que nasce criativo e eu não sou uma dessas pessoas”: todos temos possibilidade de imaginar, refletir, testar e aplicar alguma solução de maneira criativa. Esse é um privilégio ainda bastante exclusivo dos seres humanos.

3. Independência intelectual

Muitas empresas ainda trabalham em níveis de hierarquia e esse modelo deve continuar a existir por muitos e muitos anos, mas isso não significa que os colaboradores serão pagos para aceitar sem debater.

Aliás, é exatamente o contrário disso: quanto mais ideias boas uma pessoa pode trazer para o ambiente de trabalho, mais esse funcionário pode ser reconhecido por isso.

É nessas horas, inclusive, que repensamos o conceito de insubstituível: ninguém é tecnicamente insubstituível, pois, para realizar as tarefas básicas de uma profissão, todos os especialistas foram ensinados da mesma forma. Contudo, quem traz à tona independência para desenvolver ideias e propor novas soluções tem um capital intelectual tão interessante que a empresa faça questão de manter a pessoa no quadro, melhorando condições de trabalho e salários.

Para garantir essa habilidade, entenda que independência diz respeito a buscar o crescimento, o embasamento das ideias e a humanização profissional do indivíduo – mesmo porque o técnico pode ser feito por máquinas, mas o mental, emocional e criativo ainda são postos bem ocupados pela mente humana.

4. Espírito de equipe

Está cientificamente comprovado que, para que uma empresa produza bem e seja reconhecida por seus clientes, deve haver entre sua equipe interna muito acolhimento e empatia.

Isso porque um funcionário insatisfeito com o ambiente de trabalho, as condições, o salário ou os colegas não vai ser tão produtivo quanto um colaborador feliz, que se sente reconhecido e vê no time em questão uma extensão de sua família ou, no mínimo, de um bom círculo de amizades.

Ter espírito de equipe é uma habilidade que requer bastante empatia, acolhimento do próximo e noções de liderança. Quem consegue definir essa habilidade como diferencial pode não só fazer parte de uma boa equipe como, também, estar a frente dela, levando a empresa a níveis mais altos de resultado e apreciação.

5. Liderança

Por falar em equipe e liderança, eis aqui o segredo para ser líder: é preciso ter empatia, entender o negócio geral da empresa, aceitar que cada membro da equipe tem dores e alegrias diferentes em relação ao trabalho (e precisam de uma atenção à sua vida pessoal e saúde) e, somado a isso tudo, é imprescindível que o aspirante a líder consiga se preparar adequadamente para assumir um cargo desse naipe.

Afinal, não é a própria pessoa quem decide que quer ser líder e, de repente, começa a mandar nas pessoas ao redor esperando resultados positivos (mesmo porque você vai entender, nos cursos sobre liderança, que “mandar” não é um verbo desse personagem). A capacidade de ser líder requer muitas habilidades de vida, como a de motivar pessoas, mover o barco para um objetivo certo e dar feedbacks positivos e negativos com cuidado e carinho.

Para desenvolver essa habilidade do futuro, comece o dia sendo mais responsável e, inclusive, chamando a responsabilidade dos erros do seu processo de trabalho para si. Um líder não aponta dedos, e sim soluções.

Habilidades do futuro para profissões de hoje

Existem as habilidades que já existem hoje, mas ainda não tem nem um terço do peso que terão no futuro – e, ainda assim, são imprescindíveis para o sucesso de agora, e não de mais tarde.

Fica o convite para que você reflita também sobre elas e, sempre que possível, lápide ainda mais sua capacidade de promover a mudança dentro do seu ambiente de trabalho.

1. Atitude positiva

Por muito tempo falar de atitude positiva no trabalho era um pecado tão grande quanto evocar um livro de autoajuda, mas no futuro essa será uma das principais armas dos profissionais bem sucedidos.

Isso porque o mundo anda cada vez mais chato e odioso, e as relações profissionais podem ficar desgastadas pela desesperança. Já quem acredita no futuro mudando, hoje, as atitudes para melhor o cenário vai sempre ter uma atitude positiva sobre a vida e, dessa forma, ser bem quisto em qualquer empresa onde estiver.

Afinal, quem quer alguém que só reclama ou tem certeza absoluta de que nada irá mudar pra melhor? A incerteza sobre os próximos dias é, inclusive, uma das partes boas da vida, pois isso mostra que o futuro pode, basicamente, ser o que a gente quiser.

2. Responsabilidade

Palavra comum no dicionário adulto mas muito pouco praticada por quem já tem um lugar no mercado de trabalho. Quantas vezes você já viu um colega usar (ou já usou você mesmo) uma desculpa qualquer para faltar ao trabalho? Pegar um atestado sem precisão? Chegar atrasado? Destratar um cliente?

O futuro vai exigir de qualquer colaborador o entendimento que cada empresa lida com sonhos e metas de um cliente final, e que isso deve ser respeitado por todos. Estar insatisfeito com o salário é uma coisa, mas agir com infantilidade para mostrar essa insatisfação – ou cavar uma demissão – é irresponsável e desumano.

Se você ainda não se considera uma pessoa responsável, mude suas atitudes e comece, a partir de agora, a assumir esse título de maneira merecida, inclusive para colher os frutos agora mesmo.

3. Proatividade

Enquanto o futuro guarda novas possibilidades de autonomia corporativa para diversos cargos, é hoje que a produtividade pode aumentar um rendimento, merecer um reconhecimento público ou até faturar um bônus interessante: nada pode ser melhor para as empresas do que um funcionário que resolve um problema sem esperar que alguém o oriente a fazê-lo.

Ser proativo é assumir as rédeas de uma situação, propor uma melhoria, entregar uma tarefa, conquistar um novo objetivo ou qualquer outro verbo empresarial sem que seja preciso que alguém hierarquicamente superior faça uma demanda por isso.

Para ser proativo hoje comece a enxergar melhor sua empresa para entender onde e como as mudanças que você gostaria de sugerir podem ser aplicadas. Se vir um problema que pode ser contornado com facilidade não espere que alguém te aponte a necessidade de resolução. Assim, sua proatividade estará sempre sendo treinada.

4. Visão de negócios

Lembra do ditado “o olho do dono engorda o gado”? Pois é: faz parte das habilidades do futuro ter, como colaborador, uma visão de negócios compatível à do dono. Afinal, se você confirmou o interesse de trabalhar em uma empresa, deve se dedicar a ela como se fosse sua, uma vez que sua satisfação com esse emprego é o que vai te dar boas chances de ser feliz na vida como um todo.

Acontece que você não precisa esperar o futuro chegar para mostrar aos seus chefes e líderes que você entende da empresa e quer melhorar suas perspectivas: desenvolva desde agora a sua visão de negócios e busque oportunidades onde essa habilidade é valorizada.

Para desenvolver essa característica, que é bem criteriosa, melhor treinar o ouvido ativo para escutar e entender, e não apenas para retrucar, calibrar sua visão estratégica e de planejamento, estudar conceitos de administração e se dedicar a pensar nos benefícios e dificuldades da empresa de maneira geral, e não apenas dos seus próprios.

5. Autoconhecimento

Para ter uma chance nas profissões e empresas do futuro você precisa se conhecer, saber onde quer chegar, como, quando e porque determinados desafios estão te movendo.

Tudo isso é importante para saber se a passagem por uma empresa é algo de longo prazo ou de curto e, quando for de longo, quais tipos de habilidades você deve desenvolver para alcançar seus sonhos de carreira.

O autoconhecimento é uma habilidade que se constrói, sendo impossível que surja de um dia para o outro, e vai te auxiliar, principalmente, na construção do seu perfil profissional assertivo.

E, claro, conhecendo a si mesmo você vai entender o que te move a buscar mais conhecimento e de que forma essa meta pode ser atingida.

Com essa e outras habilidades que listamos aqui, não interessa muito quando a aposentadoria pelo governo acontecerá, pois muito provavelmente você já terá construído um caminho tão bom de trabalho que será você a decidir, no fim das contas, quando é que quer parar.