Autismo é uma condição sobre a qual ainda existe muito tabu. É um distúrbio neurológico que compromete a interação social do indivíduo. Além disso, compromete a comunicação verbal e não-verbal e causa um comportamento repetitivo e restrito, mas nada disso significa que o indivíduo não possa fazer parte da sociedade.

Há alguns anos o autismo deixou de ser considerado uma condição clínica que inviabiliza o convívio social de quem tem o transtorno. Antes alijados da sociedade, muitas vezes incompreendidos e outras vezes tratados com preconceito, os autistas - ou melhor, as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) - estão inseridos no mercado de trabalho, se relacionam e, não raras vezes, desenvolvem importantes habilidades. Hoje é possível aprender mais sobre autismo tanto na internet, por meio de cursos online, sites específicos sobre o assunto, grupos no Facebook, quanto offline, já que a bibliografia sobre o tema é bastante vasta e os grupos e associações de pais de autistas também têm crescido.

 

Antes de abordarmos mais sobre as - por vezes - sutis diferenças nas características autistas, é importante lembrar que, de acordo com a versão mais atual do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5, em inglês) - manual para profissionais da área da saúde mental que lista diferentes categorias de transtornos mentais e critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria -, não há apenas um tipo de autismo. O diagnóstico vai muito além do "é ou não é", já que há várias nuances. Mesmo uma pessoa típica pode ter uma ou algumas características, portanto somente um psicólogo ou psiquiatra poderá avaliar melhor o quadro por meio de um diagnóstico clínico que vai de consultas com os pais (no caso de crianças) e parentes próximos ou cuidadores até testes de escalas, sendo os mais utilizados nos consultórios o Perfil Psicoeducacional Revisado (PEP-R) e a Escala de Avaliação do Autismo na Infância (CARS, da sigla em inglês).

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O que é autismo e de onde vem?

  • Autismo é um distúrbio que afeta as capacidades de aprendizado, comunicação e adaptação das crianças. Normalmente é identificado entre 1 e 3 anos, mas às vezes os primeiros sinais já aparecem nos primeiros meses de vida. Ao autistas têm dificuldades nas relações afetivas e sociais e parecem viver em um universo isolado.

Ainda não há uma única explicação ou consenso da comunidade científica para a origem do Autismo. Como os sintomas são bastante variados e em diferentes intensidades, apontar uma única origem pode ser leviano, já que os quadros autísticos resultam da combinação de diferentes genes envolvidos no processo. Também não há exames laboratoriais e de imagem que auxiliem no diagnóstico, que é realizado por meio de observação e relato de quem convive com o autista. Apesar da forte evidência da herdabilidade genética, não há um gene específico associado ao Autismo (pelo menos ainda não foi identificado um). Alguns estudos sugerem, além de um certo grau de hereditariedade, desde alterações genéticas no momento da formação do feto até traumas psicológicos da gestante, que desencadeariam uma série de alterações hormonais, passando por uma certa negligência afetiva dos pais com o bebê, para o desenvolvimento do Autismo, além de outros aspectos ambientais.

 

Vez ou outra surgem boatos, principalmente na internet, de que determinadas vacinas infantis seriam as responsáveis pelo surgimento do Autismo em crianças, mas nada foi comprovado pela Ciência, além do fato de que a falta de vacinação pode acarretar diversas outras doenças. Como não há uma causa definida, também não se pode falar em cura para o Autismo, mas apenas em tratamento e, quanto mais cedo diagnosticado, mais exitosa pode ser a sociabilização do autista dependendo do grau do espectro. Mas como identificar o quanto antes?

Primeiros sinais

Com o avanço das pesquisas na área, nos últimos anos vem sendo possível diagnosticar cada vez mais precocemente o autismo, bem como suas vertentes. O diagnóstico precoce é importante, pois auxilia os pais ao lidarem com filhos nessa situação e, quanto antes o tratamento for iniciado, mais as chances de controlar o transtorno. Hoje é possível mesmo antes dos dois anos de idade identificar traços autistas em bebês. Na fase da amamentação, por exemplo, é importante que os pais interajam o máximo possível com o bebê. Em caso de desinteresse da criança por qualquer tipo de interação, já pode ser um sinal do transtorno e, por isso, é bom conversar primeiramente com o pediatra da criança.

Principais características

Hoje o autismo é identificado por meio de uma série de características comuns, muito além da dificuldade de interação da criança. Comportamentos repetitivos, movimentos estereotipados, interesses restritos, alteração sensorial (principalmente tato e audição), isolamento social, dificuldade de receber e executar ordens, pouca concentração mas capaz de ficar horas observando um mesmo objeto, inapetência, atraso no desenvolvimento da fala já que se comunica pouco, irritabilidade diante de sons altos ou barulhos inesperados, certa insensibilidade afetiva e, por vezes, comportamentos explosivos e violentos são apenas algumas das características que podem estar isoladas ou combinadas.

 

 

Muitas das vezes os autistas acabam se relacionando, mesmo que de forma restrita e apenas por necessidade, com os próprios pais, apesar da dificuldade de se comunicar verbalmente. Por não se fazerem entender, alguns chegam a gritar ou espernear no chão quando contrariados (os "colapsos"). Uma cena clássica é a mãe ou pai que chama o filho autista e o mesmo parece não escutar a ordem. Eles podem gritar a altura que for, a criança parece não escutar. Um dos dois então resolve chegar perto da criança e a tocar. Neste momento, a criança parece estar possuída e começa a gritar e espernear em um acesso de fúria, como se a interrupção da sua concentração (ou seja lá a atividade que esteja realizando) fosse o fim do mundo. Também é possível observar a diferença no olhar do autista. A dificuldade de contato visual é latente nos casos mais graves. Eles buscam um ponto de fuga e focam nele, evitando ao máximo o contato tanto visual e, em alguns casos, até mesmo o toque. Daí a importância de, na medida do possível, não mudar a rotina da pessoa com Autismo e evitar o excesso de estímulos e sobrecarga sensorial.

 

Outras características comuns ao autista são o apego à rotina e a estereotipia. Se ele tem o costume de assistir a um programa na TV diariamente no mesmo horário, pode ter dificuldade em aceitar uma mudança na grade da emissora. Se almoça sempre ao meio-dia, pedirá pelo almoço sempre neste horário mesmo num final de semana ou se não estiver com fome. Já a estereotipia é o que faz com que, por exemplo, o autista tenha a mania de enfileirar objetos ou ordená-los de alguma forma lógica, medir passos ou contar azulejos e ladrilhos na calçada. No início algumas características do Autismo podem se confundir com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), por isso a análise clínica feita por um profissional é fundamental para diferenciá-las e chegar a um diagnóstico correto.

Além do Asperger, quais são os outros tipos de Autismo?

Não é que o Autismo tenha vários tipos. Na verdade há vários graus, ou espectros, indo do mais leve (com alto grau de funcionamento) ao mais grave (com baixo grau de funcionamento). Isso quer dizer que autistas leves têm poucas características autistas e uma facilidade maior de se sociabilizar, enquanto que os autistas graves possuem mais características autistas e um grave comprometimento na socialização, além de Q.I. abaixo da média, movimentos estereotipados, pensamentos obsessivos e, por vezes, agressivos. Esses autistas vivem em um mundo a parte e, na maioria das vezes, precisam ser medicados para minimizar os sintomas.

Medicação

Na verdade não existem remédios específicos para tratar o Autismo. Para controlar o transtorno são prescritos medicamentos que ajudam no controle da depressão (para regular os níveis do neurotransmissor serotonina, como Zoloft e Prozac), agressividade e hiperatividade. Também podem ser ministrados antipsicóticos (para os casos mais graves que envolvam comportamentos agressivos) que reduzem a quantidade do neurotransmissor dopamina e até mesmo estimulantes como a Ritalina para casos de TDAH. Vale lembrar que nenhum medicamento deve ser usado sem consultar um médico.

Outros tratamentos

Mas só os remédios não são capazes de conter os efeitos do transtorno autista. Por se tratar de uma patologia mental/comportamental, muitas vezes terapias associadas são aconselhadas como Fonoaudiologia (para os casos de atraso de linguagem), Cinoterapia e Equoterapia (para estimular a interação social e a empatia), Terapia Ocupacional (que ajuda na concentração e no desenvolvimento das habilidades cognitivas), passando por terapias como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA ou Applied Behavior Analysis, na sigla em inglês), que é uma abordagem da Psicologia usada para a compreensão do comportamento (ABA vem do behaviorismo e observa, analisa e explica a associação entre o ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem), o método TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children), que significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados com a Comunicação (programa educacional e clínico com uma prática predominantemente psicopedagógica que busca observar os comportamentos das crianças autistas em diversas situações frente a diferentes estímulos) e o Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (do inglês Picture Exchange Communcation System - PECS), que se trata de um método para ensinar pessoas com distúrbios de comunicação ou com autismo a se comunicar de forma funcional por meio de figuras. Esses são os tratamentos mais comuns, mas há outros, alguns inclusive experimentais ainda sem comprovação científica.

 

Independentemente de qual seja o tipo de tratamento escolhido, ou a combinação entre dois ou mais deles, é importante que seja feito o quanto antes a partir do diagnóstico, que também deve ser o mais precoce possível. Isso vai permitir que o cérebro possa criar novas conexões em uma fase do desenvolvimento de alta plasticidade. O transtorno bem controlado torna o autista apto a estudar em uma escola regular (a não ser que a criança sinta que está sempre atrás dos colegas no aprendizado, o que pode gerar bullying e ser ainda mais prejudicial para o seu desenvolvimento social), a trabalhar normalmente e a se tornar independente na vida adulta.

A dieta influencia?

Nos últimos anos tem-se estudado a possível relação entre a dieta, sobretudo a retirada de glúten, caseína e soja da alimentação de autistas, na redução dos sintomas do Autismo, inclusive com fartos depoimentos de pais que notaram mudanças consideráveis no comportamento dos filhos. Mas por enquanto não foram descobertas evidências científicas sólidas dessa provável relação. Apesar de alguns estudos na área, é preciso ter parcimônia. No máximo a dieta pode complementar o tratamento em alguns casos. De novo vale a máxima de consultar um médico antes de tomar essa decisão.

Direitos

Por lei, não somente os autistas mas também seus pais ou cuidadores possuem alguns direitos. No Brasil há leis específicas para pessoas com deficiência (Leis 7.853/89, 8.742/93, 8.899/94, 10.048/2000, 10.098/2000, entre outras). Cada município ou estado também possui suas leis. No geral, os benefícios incluem atendimento gratuito na Assistência Social (CRAS e CREAS), Benefício de Prestação Continuada, que é um benefício socioassistencial regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS (Lei 8.742/93), atendimento educacional especializado (mesmo em escola regular, é possível um acompanhamento de um profissional específico com conhecimentos em Transtornos Globais do Desenvolvimento), na Saúde, com atendimento terapêutico e dentário, entre outros, além de passe livre no transporte público (consulte as leis municipais ou estaduais da sua região). Até mesmo vagas específicas para deficientes em estacionamentos podem ser asseguradas a quem tem Autismo ou acompanha um autista, inclusive a redução da jornada de trabalho sem redução de salário em alguns casos. Antes, porém, consulte os pré-requisitos específicos para cada lei como, por exemplo, a questão da renda familiar.

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Mais sobre o autismo - perguntas frequentes e curiosidades:

  • O que é autismo leve? É um dos tipos de autismo, também chamado “de alto funcionamento”, caracterizado pela demora no desenvolvimento da linguagem falada e escrita, que acontece somente após os dois ou três anos.
  • Como diagnosticar autismo? Há alguns passos que ajudam no diagnóstico: entrevista detalhada com os pais e as pessoas que ajudam com os cuidados com a criança; análise de fotos e vídeos (reunidos pelos pais); depoimentos de quem acompanha a criança no ambiente escolar; análise de dados do histórico familiar e uso de escalas de avaliação.
  • O autismo no mundo dos famosos: 
  1.  Sobre o autismo de Messi: ao ser contada a história de vida do jogador argentino houve a divulgação de que ele foi diagnosticado com autismo quando criança. No entanto, essa notícia foi rebatida pela família, que alegou que o jogador não é autista.
  2. Autistas famosos: Tim Burton (o cineasta de Alice no País das Maravilhas e Edward Mãos-de-Tesoura); Courtney Love (viúva de Kurt Cobain, do Nirvana); Daryl Hannah (atriz dos conhecidos Kill Bill, Blade Runner e Sense 8).

Como saber mais

Quer se informar mais sobre o tema? É profissional da área a procura de capacitação? No Educamundo você encontra diversos cursos a distância. Aqui, temos o curso online Autismo, que aborda a história e os conceitos através de um diversificado material de estudo, com aprofundamento científico e uma melhor preparação do profissional das áreas de Educação, Saúde e demais interessados; o curso online Métodos Aplicados no Trabalho com Autistas, que orienta a respeito da importância da organização de métodos e técnicas específicas junto a estes alunos para que tenham êxito no aprendizado e na inclusão escolar; e o curso online Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, que capacita, atualiza e aprofunda os conhecimentos para reconhecer os sintomas, conhecer os aspectos neurológicos, genéticos e o papel da família na evolução do tratamento, assim como as políticas governamentais voltadas para as pessoas que possuem os distúrbios.

 

Também é indicada a série de reportagens produzidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, com o médico Dráuzio Varella, chamada "Autismo, Um Universo Particular", exibida em 2013. Como diz o médico, "para compreender e educar uma criança com autismo, é preciso esforço, dedicação e sabedoria para penetrar em seu universo, e fazer com que o nosso lhe pareça mais acessível e menos absurdo." Assista a todos os episódios e confira também uma lista com 30 filmes que falam sobre Autismo e Asperger para entender um pouco mais desses transtornos.