A hipertensão arterial, comumente conhecida como pressão alta, é um mal silencioso que, se não tratado, pode levar a consequências graves. Publicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostraram que mais de 1 em cada 5 adultos apresentaram aumento da pressão arterial. Os dados são ainda mais alarmantes quando nos deparamos com o número de mortes no mundo por complicações da hipertensão arterial: 9,4 milhões de pessoas por ano. Isto representa que anualmente o equivalente à população do Rio de Janeiro somada a de Brasília, cidades que ocupam a 2ª e 3º posição da lista de mais populosas do nosso país, perdem a vida por esta razão.

No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte. A hipertensão arterial contribui expressivamente para este resultado, uma vez que é responsável por 80% dos casos de derrame e 40% dos casos de infarto. Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2017, mostrou que os gastos estimados com doenças cardiovasculares no país foram de 37,1 bilhões de reais em 2015, um aumento de 17% no período entre 2010 e 2015.

Os prejuízos com a hipertensão não se limitam às despesas com prevenção e tratamento. Associada à Diabetes Mellitus, esta condição e suas complicações representaram uma perda da produtividade do trabalho e da renda familiar, estimada em US$ 4,18 bilhões entre 2006 e 2015.

Infelizmente, o cenário da hipertensão arterial nos países em desenvolvimento, como o é o caso do Brasil, não é nada animador. Os países emergentes não têm apresentado uma tendência à diminuição da prevalência desta condição, como os países de alta renda. As razões que explicam essa situação incluem o envelhecimento da população (fator de risco para hipertensão) e a urbanização associada a mudanças no estilo de vida e hábitos alimentares.

Apesar de frequente é comum encontrar pacientes e profissionais de saúde com dúvidas em relação a diversos aspectos desta condição. Para esclarecer algumas destas questões, além do Curso Online Hipertensão Arterial, preparamos um guia com as principais informações sobre o tema.

Guia prático sobre Hipertensão Arterial (Pressão Alta)

O que é hipertensão arterial?

Conforme a última Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, trata-se de uma condição crônica caracterizada pelo aumento da pressão arterial igual ou acima de 140 e/ou 90 mmHg (140 por 90). O 140 representa a pressão arterial sistólica, obtida quando o coração bate (contrai), já o 90 é resultado do relaxamento do coração e é chamado de pressão arterial diastólica.

A pressão arterial é necessária para que o sangue possa percorrer os vasos sanguíneos e cumprir a sua função de transportar substâncias (nutrientes, oxigênio, hormônios) a todas as células do corpo.

Cada vez que o coração bate, bombeia o sangue para os vasos. A pressão é criada pela força que o sangue exerce sobre as paredes das artérias. É através das artérias que o sangue filtrado percorre o corpo, enquanto as veias têm a função de levar o fluído já rico em gás carbônico e pobre em oxigênio de volta para o coração. Se as artérias se estreitam por alguma razão, o sangue flui com maior dificuldade, aumentando a pressão arterial. O coração, por sua vez, precisa fazer mais força para bombear o sangue, aumentando de tamanho. A progressão deste quadro pode levar à insuficiência cardíaca.

A hipertensão arterial está comumente associada a duas causas principais: distúrbios metabólicos e alterações funcionais/estruturais de órgãos importantes para o sistema circulatório. Os riscos são ainda maiores quando há presença de outros fatores agravantes, como tabagismo, dislipidemias, excesso de peso e obesidade, intolerância à glicose e diabetes mellitus (mais informações no nosso Curso Online Hipertensão Arterial).

Precisamos ficar atentos! Na maior parte dos casos não há sintomas de pressão alta, entretanto, em quadros mais graves, pode haver dor de cabeça, falta de ar, vômito, visão borrada e agitação. Em geral, estes sintomas aparecem como consequência de lesões no coração, rins, cérebro e olhos.

Consequências da Hipertensão Arterial à saúde

Além de ser silenciosa, a pressão alta é uma condição “democrática”, ou seja, acomete mulheres e homens, crianças e idosos, negros e brancos. Qualquer pessoa pode ter seus níveis pressóricos aumentados e, por tudo isso, o diagnóstico muitas vezes é tardio. Quando não tratada, as consequências são graves, não é à toa que é considerada um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

Para reduzir a pressão arterial e as suas complicações, a adesão dos pacientes ao tratamento é extremamente importante. Por isso, governos e instituições investem cada vez mais em campanhas e políticas públicas de conscientização da população, além do incentivo a cursos online e presenciais para a capacitação de profissionais de saúde.

Apesar dos esforços, a aderência ao tratamento continua sendo um desafio, já que as medidas terapêuticas adotas requerem, além do seguimento adequado à prescrição dos medicamentos, mudanças dietéticas e comportamentais. Para compreender o quão difícil é garantir que os pacientes sigam o tratamento proposto, veja na imagem abaixo quais são os principais fatores envolvidos neste processo.

hipertensao arterial

Agora que já sabemos um pouco sobre o porquê de a pressão alta ter um manejo tão complicado, ao ponto de se tornar um problema de saúde pública em nível mundial, vamos às consequências. Já vimos que a hipertensão, quando não tratada, pode levar ao infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca. Mas, você sabe como a pressão arterial elevada afeta todos estes órgãos?

A hipertensão arterial prejudica, principalmente, os vasos, coração, rins e cérebro. Os vasos costumam ser os primeiros afetados, com o aumento da resistência ao fluxo de sangue eles se tornam mais estreitos e endurecidos e, com o passar do tempo, podem se romper. Se ocorrer no cérebro, pode acontecer o que chamamos de derrame cerebral ou acidente vascular cerebral.

Quando ocorre no coração, pode haver um infarto agudo do miocárdio. Além do risco de infarto, o coração pode aumentar de tamanho com a elevação crônica da pressão arterial, como já falamos neste artigo. Por ser um músculo, assim como qualquer outro músculo do corpo, quando exposto a um esforço excessivo e contínuo, o coração ganha volume, levando à insuficiência cardíaca.

Muitos dos sintomas de pressão alta que conhecemos podem ser, na verdade, resultado da insuficiência cardíaca, como é o caso da falta de ar, dor no peito e tonturas. Os rins também sofrem muito com a hipertensão. Eles têm o importante papel de filtrar o sangue. Com o aumento dos níveis pressóricos, os vasos renais são agredidos e acontece a perda progressiva da sua função.

Pré-hipertensão

A pré-hipertensão é definida pela pressão arterial entre 121-139 mmHg (sistólica) e 81-89 mmHg (diastólica). Esta condição afeta aproximadamente 25 a 50% da população mundial e está associada ao aumento do risco de desenvolver hipertensão e complicações cardiovasculares.

Medição da Pressão Arterial

A primeira medição da pressão arterial em um ser humano, utilizando uma técnica mais acurada, ocorreu em 1856 por Faivre. A aferição foi realizada na artéria femoral através de um manômetro de mercúrio (Hg), durante um procedimento cirúrgico. Desde então, a comunidade científica se dedicou a estabelecer quais são os valores pressóricos dentro da normalidade.

Atualmente, o esfigmomanômetro é o equipamento utilizado para esta medida, sendo disponibilizado nas versões: manual, semiautomático e automático. Para garantir a acurácia do método, esses equipamentos precisam ser validados e sua calibração deve ser verificada todos os anos, seguindo as orientações do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). No momento da medição, alguns cuidados também devem ser tomados, veja:

- Repouso: deixar o paciente em repouso por 3 a 5 minutos em um ambiente calmo. O paciente não deve conversar desde o início do processo até o final da medição.

- Condição do paciente: o profissional deve se certificar que o paciente não está de bexiga cheia, que não praticou atividade física nos últimos 60 minutos, não fumou há pelo menos 30 minutos e não ingeriu café ou bebida alcoólica muito próximo da medição.

- Posicionamento: o paciente precisa estar sentado confortavelmente, com as pernas descruzadas e os pés apoiados no chão. O braço deve estar apoiado e na altura do coração.

- Local de aferição: selecionar o manguito - parte do equipamento que envolve o braço do paciente - de tamanho adequado, evitando folgas. Manter a margem inferior do manguito 2,5 centímetros acima da dobra do cotovelo. O meio da parte compressiva do manguito deve ser posicionado sobre a artéria braquial.

- Teste duplo: a Diretriz Brasileira de hipertensão arterial recomenda pelo menos duas medições, com intervalo de aproximadamente um minuto. Medições adicionais podem ser necessárias se os valores obtidos nas duas primeiras forem muito diferentes.

- Escolha do braço: na primeira consulta do paciente, a pressão de ambos os braços deve aferida e o valor registrado é o do braço onde foi obtida a maior pressão.

- Resultado: o paciente deve ser informado sobre o resultado da aferição.

- Registro: anotar os valores sem “arredondamentos” e o braço em que foi feita a medida.

Para crianças, idosos, gestantes e obesos podem haver orientações adicionais. Você encontra mais informações sobre a avaliação do paciente hipertenso no Curso Online Hipertensão Arterial.