Quem acompanhou a campanha política de Bolsonaro sabe que na área da educação ele defendeu a implementação do ensino fundamental a distância. Estudar pela internet não é nenhuma novidade, pois a realização de cursos EAD já uma realidade muito forte no país.

Governo Bolsonaro e a educação a distância no ensino fundamental

Esse ensino a distância, defendido pelo Bolsonaro, se estenderia ao ensino fundamental e médio. Sabemos que essa já é uma realidade que existe no país nos níveis profissionalizante, técnico e superior, e que cresceu bastante nos últimos anos. 

Segundo dados da ABED (Associação Brasileira de educação a distância) o número de alunos matriculados em cursos a distância em 2017 foi de 7.773.828. O número mais que dobrou, se comparado a 2016, que eram cerca de 3 milhões de matrículas.  De um total de 11.008 polos contabilizados pelo Censo de educação a distância do ano de 2017, pelo menos 3.137 foram criados nesse mesmo ano. Entre esses cursos pode-se encontrar cursos livres, técnicos, de graduação e de pós-graduação. 

Atualmente, o MEC (Ministério da Educação) é responsável apenas pelos cursos de graduação e pós-graduação. As modalidades de ensino Infantil, fundamental médio e técnico é responsabilidade das secretarias estaduais e municipais de educação. Os cursos livre da educação continuada também não precisam da autorização do MEC. 

A educação a distância no ensino fundamental e médio já é uma realidade em lugares de difícil acesso,  como algumas comunidades próximas de Manaus, que atualmente utilizam o sistema de tecnologia por vídeo para que os alunos tenham acesso a todas as disciplinas do currículo. Há anos já existe o ensino médio na modalidade de EJA (Educação de Jovens e Adultos) a distância, em que os alunos estudam em casa e vão para a escola apenas para realizar as provas sobre as disciplinas, parecido como ocorre na graduação.

 

Bolsonaro defendeu a educação a distância em boa parte da sua campanha. Para ele os alunos poderiam ir à escola apenas para realizar as provas e fazer aulas práticas. Segundo o político essa seria uma forma de combater o "marxismo" nas escolas, além de baratear os custos da educação. Para ele, um dos principais problemas da educação no país é a doutrinação que ocorre nas escolas, que, segundo ele, acabará com a retirada das ideias sobre Paulo Freire (autor que defende o pensamento crítico nas escolas) da educação.

Além disso, ele acredita que as escolas deveriam focar mais no ensino do português, matemática e ciências, além do retorno de disciplinas que existiram durante a ditadura militar.

O presidente também argumenta que o ensino a distância pode vir a ser uma ótima alternativa para as áreas rurais, em que a dificuldade de acesso ao ensino tradicional é muito grande. Ele admitiu que o ensino fundamental presencial é o melhor possível, mas que muitos conteúdos poderiam ser ensinados a distância, principalmente nos locais de difícil acesso.