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 Anny Lima  02/12/2016

Prezadxs, desculpe o transtorno, vamos falar de linguagem e gênero

Recentemente tenho reparado que várias pessoas estão optando por escrever alterando a forma linguística das palavras. Está ficando cada vez mais comum a utilização de “x” ou “@” para substituir artigos que expressam uma posição no masculino ou feminino, desfazendo as marcas de gêneros. No entanto, essa mudança gramatical tem gerado alguns problemas, por não fazer parte da norma culta da Língua Portuguesa. Essa última informação você pode conferir acessando nossos cursos online nas áreas de idiomas ou educação. Nesse artigo falaremos um pouco do uso dos termos mencionados e as consequências do ato.

Voltemos aos primórdios da língua 

Logo quando o homem desenvolveu a capacidade de linguagem, ele precisou separar e classificar as coisas que existiam em seu mundo. Acredita-se que a primeira classificação feita pelo homem tenha levado como referência a si próprio e, tendo o “eu” como referência, as semelhanças e diferenças entre si, os outros seres e coisas foram se destacando. Essas classificações também se refletiram nas línguas e processos de linguagem. É suposto que o masculino e o feminino tenha começado a fazer parte da linguagem a partir daí, mixando o gênero natural e o gênero gramatical.

Na língua portuguesa, quando nos referenciamos ao gênero das palavras, estamos falando das flexões em relação à classificação de feminino e masculino atribuídas às classes gramaticais, como substantivos, adjetivos, entre outros. A questão de gênero dos vocábulos gera muita discussão, assim como tantos outros elementos da língua. Recentemente, tenho percebido uma imposição da utilização do artigo neutro em determinados locais e instituições. Aqui, o termo "artigo neutro" está se referindo à substituição dos artigos definidos “o” e “a” pelas letras “x” ou pelo símbolo “@”, como na frase: Prezadxs alun@s, conforme combinado, amanhã não haverá aula. Pouco temos escutado falar sobre discussões que abarcassem a utilização dessa forma de linguagem para desfazer as marcas de gênero. Mesmo tendo poucas discussões, por que é tão polêmico assim? Continue lendo e entenda.


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A utilização do artigo neutro

As questões de gênero e sexualidade estão sendo muito discutidas na atualidade e isso se reflete na nossa língua e nos faz repensar sobre certas expressões. A evolução e atualização da língua deve acontecer e precisa acompanhar o desenvolvimento da sociedade. Para exemplificar, basta pensar na evolução do pronome de tratamento "você", que evoluiu gradativamente ao longo dos anos, sendo conhecimento anteriormente como "vossa mercê", “vossemecê” e “vosmecê”.

O gênero é colocado em pauta visto que muitas pessoas não se reconhecem e/ou não se identificam como homens ou mulheres. A identidade de gênero, ou seja, a maneira que você se enxerga, o gênero que se identifica, podendo coincidir ou não com o seu gênero biológico. Surgindo, então, a proposta de utilização do artigo neutro para tratar as pessoas.

A proposta de dar neutralidade aos termos é muito boa, mas ela carrega alguns problemas que não foram discutidos. A neutralidade do tratamento passa uma ideia de inclusão, mas, na prática, geram outros fatores e excluem os que não se sentem representados, pessoas com deficiência visual ou com baixa visão, que possuem transtornos ou problemas relacionados à aprendizagem.

Pode atrapalhar no processo de aprendizagem da língua portuguesa

Em uma escola no interior do Rio de Janeiro, professores e diretores começaram a utilizar o artigo neutro em recados, avisos e nas provas e isso gerou muita polêmica, sendo noticiado em portais de notícias. Se os próprios professores utilizam esse tipo de escrita, os alunos absorvem o exemplo dado e começam a escrever diferentemente da norma culta da nossa língua. Os vocábulos escritos com “x” ou “@” podem atrapalhar o processo de aprendizagem das crianças que estão iniciando o contato com conteúdos linguísticos e de pessoas que estão retornando as salas de aulas após anos sem estudar. 

Você já parou para pensar sobre a taxa de analfabetismo no Brasil? Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8,7% da população brasileira é analfabeta e 27% não sabem ler ou escrever, mas conhecem letras e números, são os chamados analfabetos funcionais. Ainda é grande a taxa de analfabetismo entre adultos e idosos. Imagine essas pessoas frequentando as Escolas para Jovens e Adultos (EJA) ou outros programas de educação. Você acha que eles conseguiriam compreender a utilização do artigo neutro ou conseguiriam ler as palavras escritas dessa forma, sem apresentar um grau maior de difulcudade?

A dislexia também deve ser levada em consideração

Além dos analfabetos, existem aqueles que possuem dislexia. A dislexia não é uma doença, caracteriza-se por um distúrbio genético que não está relacionado à preguiça, falta de atenção ou má alfabetização. O que ocorre é uma desordem no caminho das informações, o que inibe o processo de entendimento das letras e, por sua vez, pode comprometer a escrita. É claro que os sintomas da dislexia variam de acordo com os diferentes graus do transtorno, mas a pessoa tem dificuldade para decodificar as letras do alfabeto. Ainda, quem possui esse transtorno não consegue associar o símbolo gráfico e as letras ao som que eles representam.

Se para essas pessoas, a dificuldade relacionada à fala, escrita e leitura é dobrada, imagine com a utilização dos artigos neutros em todas as frases que possuírem palavras masculinas ou femininas.

E como fica a acessibilidade para os cegos?

Com ajuda da tecnologia, os cegos puderam redescobrir o prazer da leitura. Existem vários programas e aplicativos de leituras de livros acessíveis para cegos. É permitido que os usuários desses programas leiam qualquer texto, a partir de uma narração ou adaptação em caracteres ampliados, para quem tem baixa visão. O próprio programa Word, do Pacote Office, possui essa ferramenta de leitura. Além disso, alguns aplicativos oferecem até a opção de impressão em braile, descreve figuras, gráficos, infográficos e imagens.

Caso o uso do artigo neutro seja aderido, esses programas não terão eficiência na leitura dos materiais. Afinal, qual é a pronúncia correta das frases com estes artigos neutros?

Dos riscos da utilização de caracteres que sugiram a neutralidade de gênero

Outro dia ouvimos um relato de uma confusão causada em uma repartição pública por conta do uso da letra "X" no lugar do artigo. Uma pessoa transgênero ao se deparar com um e-mail enviado por um colega de trabalho se sentiu vítima de desrespeito e preconceito, justamente pelo remetente ter trocado o artigo pela letra "x", se dirigindo a pessoa por "prezadx". Por mais bem intencionado que estivesse o remente, fato é que, quem recebeu o e-mail possuía total desconhecimento da prática. A primeira vista, o uso do x ou do @, pode soar sempre como um erro de português ou de digitação. Em outras situações pode acontecer como no relato acima e se tornar caso de polícia.

Para algumas pessoas, utilizar desse "recurso" parece ser o melhor a se fazer, afinal, o uso surgiu como forma de combater o preconceito, até aí tudo ótimo. No entanto, temos que ter em mente que essa não é uma medida oficial, ou seja, ela não é ensinada nas escolas e nem pela maioria dos pais. É claro que não ser uma medida oficial não é um dos melhores argumentos, afinal, como eu já disse, é preciso que a língua incorpore as evoluções e transformações da sociedade. Mas, mais do que isso, que ela seja cada vez mais inclusiva. A língua deve sim ser uma forma de comunicação que represente a todos. No entanto, essas mudanças devem acontecer de forma gradativa. 

Não se esqueça que acabamos assumindo e multiplicando as nossas manias - vide as abreviações de internet que assumimos diariamente, "vc", "pq", "pdc", etc. Assim, em uma prova de concurso público ou na redação do Enem, por exemplo, é possível perder pontos ao trocar os artigos pelos caracteres substituintes, seja o @ ou a letra "x". Para o corretor, geralmente a norma culta da língua é o que interessa. 

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É preciso refletir sobre outras outras propostas

Um ponto de partida para uma outra proposta é olhar para línguas que possuem neutralidade em alguns vocábulos e tomar como exemplo. No inglês, o pronome “It”, que não possui equivalência em português, tem caráter impessoal e pode ser utilizado para coisas, animais ou lugares. Ou seja, o "It" pode ser utilizado tanto para vocábulos masculinos quanto femininos, não define um gênero específico.

Já no espanhol, existe também o artigo neutro “Lo” utilizado para substantivar adjetivos e advérbios. Ele tem caráter impessoal e não flexiona em relação a gênero.

Levando em consideração os pontos apresentados, como dissemos anteriormente, esse tipo de prática pode excluir e prejudicar algumas pessoas. É necessário e muito importante que as questões de identidade de gênero sejam discutidas dentro do âmbito da língua portuguesa. Os profissionais da área da educação devem realizar análises sobre os prós e contras e proporem ações para a inclusão de gênero nas classes gramaticais.

E você? O que acha do uso dos artigos neutros para retirar as marcas de gênero? Concorda ou discorda das observações explicitadas? Deixe a sua opinião nos comentários abaixo. E aproveite para realizar a sua inscrição no portal e ter acesso aos melhores conteúdos de cursos online.

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